domingo, 13 de dezembro de 2009

Em um cochilo de Agosto...

Façam muitas manhãs
Que se o mundo acabar
(...)
Atrapalhem os pés
Dos exércitos, dos pelotões
(...)
Desmantelem no cais
Os navios de guerra
(...)
Paralisem no céu
Todos os aviões
(...)

A eterna, a inefável talvez, esperança!
Sempre viva até em um domingo a noite.
Ela vem de dentro do pâncreas, passa pelo esôfago.
Fica presa na garganta... até sair em forma de grito.
Brutal, quase libertino este berro pros céus!
Grito desafiador; meio irresponsável. Ignorante dos
costumes sacros, pragueja tudo quem vem do invisível.

É bom sumir para ver quem some com você.

Ah,(MAS) eu ei de ser.

Tributo a Jimi (Stevie Ray Vaughan) Hendrix




Um vídeo tributo não só a Jimi Hendrix.
"Da Blues", dedos negros, dedos brancos

Qualquer pessoa que toque ou goste do
som puxado a lá drive de uma guitarra,
vai entender o sentido maior deste vídeo.


--

A música é "Little Wing" de Jimi Hendrix
tocada pelo badass motherfucker
Stevie Ray Vaughan.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

R.I.P. Alborguetti

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

homo-symbolicum

Quando a gente chora
mesmo que uma gota
mesmo que por raiva
e outras coisas poucas,
o coração se abre,
vence a razão
transforma qualquer arma
em doce de algodão.

E a saudade?
mesmo que clichê:
"de coisas que não vivi"
de pessoas que amei
de tempos infantis
de tardes avermelhadas
do tempo de sorrir
carece de atenção
de um lado a alegria
maquiada de leve solidão.

Soltem as estrelas e os cometas...
Sonhar sem estar dormindo
é o pior dos deleites da vida.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Filme # 01 : O ano em que meus pais saíram de férias



O filme, “O ano em que meus pais saíram de férias”, mostra a vida de um garoto (Mauro) de 12 anos que é obrigado a deixar sua casa em Belo Horizonte com o pretexto de que serão apenas férias. Seus pais, como o filme deixa claro, faziam parte de grupos que lutavam contra a ditadura militar e por isso estavam sendo procurados. Chegando ao seu destino, São Paulo, Mauro é deixado na frente da casa do avô paterno. Porém, no mesmo dia da chegada, seu avô morre. Um vizinho chamado Schlomo observa o garoto em frente à porta do avô e resolve, contra a sua vontade inicialmente, cuidar de Mauro. As tensões do período militar, paralelamente com o período da Copa de 70, constroem o contexto histórico do enredo apresentado. A visão infantil sobre os acontecimentos da época, de certa forma, foi uma maneira de mostrar como a população em geral vivenciava a ditadura, sem muito ver ou senti-la e sim, ouvindo falar. De forma indireta o diretor apresenta algumas evidências como o muro pichado ou o falso centro acadêmico da Universidade que era um ponto de encontro de estudantes de esquerda. Quando o Brasil vence a Copa de 70 no México, foi determinado que políticos utilizassem esta vitória como base para suas campanhas eleitorais (Brasil ame-o ou deixe-o). Existe também um confronto entre a polícia e universitários que resulta na fuga de Ítalo para o apartamento de Scholmo. A ditadura, mais uma vez, aparece de forma sutil quando alguns homens procuram o estudante na porta de Scholmo e ele acaba sendo levado para interrogatório. Neste período, anos 70, a ditadura estava no auge de atos violentos como tortura, perseguição e extradição de diversos estudantes, intelectuais e artistas que buscavam fazer frente a este rígido regime militar.


Trailer:


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mundo Virtual (Ervilha daninha)



Quanto exibicionismo. O sentido se perde a cada alvorada de minha vida virtual. A existência On Line acaba sendo uma forma mais eficaz de ver e ser visto. Não precisa mais ir à praça para tal ação. Veja bem, não sou reacionário a ponto de achar que a internet é o mal do século XXI ou coisa parecida. Vejo importância em cada uma destas ferramentas populares como Twitter ou Facebook. Procuro não (mais), me prender ao passado pra justificar uma forma de existir ou a impossibilidade de viver em razão de um presente “inútil” e “pobre” comparado aos anos dourados (seja lá o que isso for). Gosto do presente. Gosto de pensar no futuro e ter certo controle, quebrar a cara vendo que do futuro só mãe Dinah sabe. Ontem, eu adorava ter Orkut, fotolog, purevolume, palcomp3, flickr... Começo a desconfiar que estava mais perdido que Iggy Pop em show de Axé.

Ilhas virtuais. Mundos fantásticos e auto-percepções equivocadas. Os equivocados que mais chamam atenção. Como se enganam. Antes achava um ultraje essas coisas. Hoje só chamam atenção porque não sinto vontade de comentar ou criticar quando me encontro em conversa presencial. Parte do que ando experimentando como sentimento, faz parte deste processo de permuta e amizade com as coisas “menos subjetivas”. O sol é que importa e eu vendo calor de verdade. Como me importava à idéia de “fazer parte” de tudo. Aos poucos, vejo que já faço parte, queira ou não, de todas as coisas. A virtualidade é luz demais pra minha vista que só quer enxergar bem o próximo. Conversar de verdade com alguém sem que o fio do falatório seja qualquer coisa relacionada à impressão passada. Isso que vejo no Orkut. Pessoas tentando parecer o tempo todo. Não são todas. A maioria não é, pois, das milhares de pessoas que o tem, a maioria não costuma entrar a todo instante. Mais uma vez, isso pouco importa. No mundo presencial tudo pode ser horrível também. As pessoas podem também dissimular qualquer sentimento ou parecer isso ou aquilo. Eu tenho múltiplos defeitos e qualidades e, de fato, gostaria que as pessoas os conhecessem presencialmente. Olho no olho. Perde-se menos tempo, ganha-se em vida observar cada ser e o perceber como tal. Quando encontramos o amor (mais amplo, não só romântico), a vida costuma explodir no mundo interno, esse sim, conectado com o resto de tudo no mundo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Rufus Wainwrig - In My Arms



You gave me all your love in one day
You gave it all and almost faded away
I'm going to take this sad and unread issue
In my arms tonight

Looking at hospitals victorian
Feeling as helpless as the elephant man
Wish you were here
To chain you up without shame
In my arms tonight

So if you should feel a bit out of place
This vision not unlike a shooting star
I have embraced

Cause you gave me all your love in one day
You gave it all and almost faded away
I'm going to take this sad and unread issue
In my arms tonight

Looking at hospitals victorian
Feeling as helpless as the elephant man
Wish you were here
To chain you up and without shame
In my arms tonight

I ain't a soft and saccharine wannabe
Still i pray to god this song will end happily
So I offer you a place to rest and forget yourself
In my arms tonight
A place to rest and forget yourself
In my arms
Tonight

Letra e música beirando a perfeição!


Nas veias ainda pulsa sangue quente
de um coração que bombeia até demais.
Ando morto feito peixe de aquário...
porém,
this heart gets stronger
this skin gets thicker
this mouth gets louder.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Momento "ô ou"


Não adianta. Pode ser que demore anos e anos, mas saiba que ele vem. À hora incerta da chegada é só aliviada com o fato de que certamente, cedo ou tarde, o destino te reservará momento único tipo limão chupado pra refrescar sede d água. O que resta é fazer careta de desgosto ou olhão de espanto. Em qualquer uma das opções, o destino é único. Declínio. Não acho ruim. Começo a ver que é ciclo natural. Não há muito jeito a não ser aproveitar à subida porque a descida é emocionante e rápida. Existem, entretanto, coisas que fogem a regra. Paralelas a estes processos. Mas rá, não conto pra ninguém o que são exatamente.

Tenho quase certeza que estou errado. “O presente” é mais que importante hoje, mas sei que futuramente, muito provavelmente, minha opinião mude. Porém, vivendo com o que sei (e não do que acho que vou saber um dia), digo basta, viro a página da playboy.

Voltando ao momento “ô ou”. Quando o pernalonga ta sacaneando o caçador e sentido-se todo espertão, comendo altas cenouras dos mais variados tipos e texturas (essa metáfora ta meio estranha), eis que ele sai da toca e dá de cara com uma baita espingarda entre os olhos a alguns centímetros do rosto. Da garganta do dublador até a conversão entre ondas auditivas que são gravadas em fita e passadas para o filme do cartoon. Da mão do animador que precisa fazer 50 quadros para toda a cena. Da edição e revisão. Até o momento que a criança liga a TV e resolve assistir este capítulo. Quando, faltando 3 minutos para terminar o programa, o Pernalonga finalmente, ao se deparar com arma de fogo, prestes a explodir na sua cara de coelho, solta o som quase que universal (dentro da TV), e nos resumi o que é a vida com um simples “ô ou”.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sobre a tentativa de alcance


Grupo de pessoas parece se incomodar com muito sorriso. Não é generalização, mas você eventualmente esbarra com uma assim. “O fato”, coisa que o olho capta, é que você, eu e qualquer um, somos seres multifacetados quando se trata de personalidade. Não adianta dizer que “sou, exatamente, o que aparento ser”. Sim, pode ser, mas existem nuances que não podem ou não precisam de exibição. De dia a outro, me pego tentando ver além do que deveria ver. Meus olhos acabam dilatados na ânsia de ver e conhecer o próximo. Esqueço que tal atitude é perigosa e talvez determinante na impressão futura e, infelizmente, minha com alguém (que pode ser conhecido ou até amigo). Dizer que “é” e na verdade não “ser” acaba se tronando coisa séria quando extrapola as coisas mundanas. Todos somos paradoxos ambulantes. Eternos andarilhos emocionais. Isso que constrói o mosaico do que alguém é de fato (contradições). Gosto de quem diz “Sou bom e sou mal também. Sou tudo o que quero ser”. Me soa (no mínimo) sincero. Me doe escutar afirmações definitivas sobre personalidade. A impressão de personalidade não se constrói apenas na forma como você se mostra a mim. Nessa relação ir e vir. E sim, também, na forma como o outro te percebe e expõe verbalmente isto a mim. Escutar terceiros sobre quartos é importante. Bem menos relevante do que acho, mas com o seu grau de importância. Porém a maquiagem que me incomoda. A tentativa de ser o que não é. O tempo todo. Uma hora você mostra os dentes. Tem gente que nunca mostra.

O fato é que pode ser crise, fase ou mudança definitiva, mas o mundo de aparências me cansa. Se ver no meio de jogo de interesse no qual nem estou inserido, me deixa zonzo. Altamente prejudicial para qualquer relação. Porém, diferente do passado, desta vez, não estou revoltado nem perturbado com os acontecimentos. O problema de quem inventou os “insights” é que deveria ter estipulado a possibilidade de, apenas, UM insight por vez. Começo a me acostumar com a lerdeza de algumas sinapses do meu cérebro. Talvez seja por isso que em uma tarde de domingo ou em uma terça de manhã, o pensamento voe e me leve pra um lugar desconhecido. Vezes belo, vezos sujo. Não importa. Não estou mais ligando para o quanto ligo. Sei que depois as coisas passam. A vida é como rio blábláblá... O que me preocupa é que perdendo esta capacidade, me torne um cínico. Não que não seja em certos momentos. Aliás. Uma das antíteses mais estranhas que já direcionaram a mim foi “És um perfeito filha da puta. Te amo e te odeio”. Sou mesmo. Culpado. Mas nunca disse que não era. É exatamente desta atitude que falo. Nunca cheguei com ninguém e disse “Sou a melhor pessoa do mundo” ou “Prazer, me chamo f.d.p.”

Lá pelas tantas, lá pelo 40º cigarro meu pulmão virou vela derretida. Não tenho mais tanta força pra odiar assim. Mas a decepção sempre rola e acho que isso não mudará. É uma marca. Tenho essa predisposição (uma carência afetiva? Alguém sabe? Freud?), de conseguir gostar de seres antagônicos. De todo tipo de pessoa. Não tenho problema com chatice, exagero, mau cheiro, gala-sêquisse. Não há limites. Cativou, pode contar. Quem vive perto imagino que perceba. Não importa se percebem porque vejo isso claro em mim. Mas eu falava de decepção. Por isso me decepciona. O pior é que tento não ser cultuador da leseira chamada “reciprocidade”. Tento fazer as coisas por que quero. Esperar coisa em troca em algumas vezes. Depende também não? Na rua é coisa e tal, em casa é tal e coisa. Mas a verdade é que Gil sabe. Sempre estamos esperando coisas... s-pe-ran-pan-do-po cer-per-tas-pas coisas pela aí. Ando meio afetado, mas não mais em crise. Já to procurando uma nova pra direcionar a minha vida da melhor forma possível.

domingo, 8 de novembro de 2009

A moça do Arapaçu


Ao testar o quinto cinto de couro sintético de seu armário, Julia sentou em sua cama. Acabara de completar o último acessório de uma mala só de ida para um lugar desconhecido. Antes de fechá-la, se dirigiu com olhar morto até o portão de sua casa. Contemplou o pequeno jardim de flores mistas (entre vida e morte). Sentou na escada e acendeu o último cigarro (virado de praxe), de uma carteira comprada 1h antes. Que dia agradável! perfeito para uma partida pensou depois de terminar o seu velho veneno. Voltou pelo mesmo caminho, passou por pai, mãe e irmão distraídos com a TV e, sem se fazer notar, partiu deixando apenas um bilhete escrito “Amor é para todo e sempre, não se preocupem”. Seguindo pela rua que cresceu, não notou nada diferente, nada de especial apesar de ter se preparado para esse, eventual, sentimento de prisão afetiva. A frieza foi sem querer, mas veio em boa hora, pois os minutos até a rodoviária passaram como vôo de arapaçu-elegante. Seguindo o simulacro do pássaro, chegou até o interior da Bahia em um piscar. Começava ali a experiência mais bem desenhada de sua vida.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Por uma música #03: Sigur Ros - Svefn-G-englar






Encantamento. Distanciamento meus amigos. Não comentando da banda e sim da música, fica clara a genialidade dos seus integrantes neste vídeo de um show na Filadélfia em 2001. Uma versão ao vivo que não deixa nada a desejar para a objetividade do estúdio (e de clipe extremamente belo). Um amigo disse “me dá vontade de dormir quando escuto isso”. Em primeiro momento, esta sentença, provavelmente, é encarada como irônica. Mas falo a vocês que não é. Há muito tempo ele sofre de insônia e vive a aproveitar qualquer oportunidade de sono. Continuando a fala dele “Por eu não entender o que é falado, a voz se torna mais um instrumento em toda aquela ambientação que é a música”. Então, também acho isso. Apesar de achar que o vocalista diz “Its youuuuuu” não é. É “Tyoowoohoo”. Mais um som.

A ironia verdadeira é que o título da música, traduzida, significa “Sonâmbulos”. O importante em toda essa história é não deixar de conhecer o som dessa banda que adormece (no melhor sentido possível) até os atormentados pelo contemporâneo que te puxa pra trás, sempre.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sobre cobiça, inveja, leite e cigarros.




Você já foi tomado pela cobiça e inveja enquanto tomava e fumava leite/cigarro? O irmão do amigo da melhor amiga de trabalho do meu cunhado conhece. Segundo o irmão do amigo, a cena é de causar frio na espinha de tão bisonha. Enquanto a pessoa tomava/fumava doses homéricas de leite/tabaco, enrubescia o rosto em uma tentativa fúnebre de fingir passividade. “A morte lhe cairia bem” disse um idiota que passava pela porta de vidro que separava a pessoa do resto do mundo. A sala, decorada com artigos metálicos e arquitetônicos, estava organizadamente desarrumada e o único artefato que destoava de todo aquele balé branco, era a mesa que reluzia sua cor natural de madeira. Um pedaço de cedro envelhecido e consistente foi utilizado para fazer uma mesa impecável. Um grito de socorro ao meio de tanta modernidade inútil. A pessoa, ainda tentando ser o que não era, insistia em misturar dois elementos que, aparentemente, eram contraditórios. Falo de inveja e leite! Como alguém consegue sentir qualquer coisa - que não seja prazer - quando está escalando uma grande montanha lactosiana de sabores, vitaminas e pura vida? Quem tem leite não tem pressa. As atitudes são misteriosas mesmo, porém, as reações, infelizmente (para os autores da reação), não são. Cada um possui seus motivos para fazer o que quiser com o pó do tempo, das coisas, do destino. Os motivos, mais uma vez, são misteriosos. Opiniões são coisas engendradas para proposopear um prédio que chamam de algo. É só concreto fundido em aço. O corpo humano é um fundimento de várias coisas (olha a maldade na oração). A necessidade de resposta a tudo e a todos é um fundimento de pensamentos.

É foda e pobre "que nem" essas últimas palavras deste pequeno texto.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O mundo é uma roda viva

Disse minha amiga



O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Público VS Privado.




Assistindo a uma aula de história brasileira contemporânea, fiquei com a cuca fervendo. Ele falava sobre uma questão tão impregnada no nosso modo de enxergar as coisas, que em primeiro momento, me causou estranheza.

O exemplo dado foi a comparação entre “casa” e “rua” aqui no Brasil, e como isso se dá em outros lugares. Pois bem, por esses lados, a relação se dá de uma maneira quase de culpa católica. A casa da gente não é lugar de transações monetárias entre os membros da família. Isso é no geral, claro. Por exemplo, o pai fala pro filho: “Menino, vai lavar a louça, limpar o banheiro e levar os cachorros pra passear”. Muito contrariado o menino vai e assim se dão as relações dentro de casa. É o lugar onde a “solidariedade” tem que imperar. “Seja solidária com a sua irmã mais nova filha” diz a mãe com tom de espanto. Em nem um momento existe uma troca real de favores. Não existe situação de o pai pagar um valor qualquer para o filho executar os trabalhos domésticos, e nem o contrário, do filho cobrar do pai uma recompen$a pelo trabalho feito. Isso não passa de uma “obrigação”. Você não faz por querer ou por reconhecimento, e sim por “solidariedade” (eufemismo, neste caso, para obrigação). Já na rua a questão é diferente. A rua é o lugar onde você vai trabalhar, ganhar sua vida, onde mora o perigo, a casa da mãe Joana e etc. Não há um respeito pelo bem público por que você está impregnado do seu particular. Por isso que em todo canto as pessoas querem colocar um pouquinho “de casa”. Isso é ruim? Talvez não. O problema é quando você assume um cargo público e quer trazer a casa junto. Isso inclui a amante, o irmão, o primo do primo, o cunhado, o neto, etc. O problema mora nesta confusão.

Em outros lugares a relação é diferente (que não é eufemismo para melhor). Aceitar que vivemos em um modelo capitalista é um processo necessário para entendermos como funcionam os processos de causa e efeito da sociedade. Na mesma situação exposta acima, o pai vai dar uma recompens$a qualquer para o filho executar as tarefas. Igual ao tio patinhas com os sobrinhos. O garoto aprende cedo a valorizar o seu esforço seja ele braçal ou não. Aqui no Brasil quanto mais braçal, mais desvalorizado é o serviço. Vários brasileiros que resolvem ir embora do país sobrevivem como garçons e ganham bem para isso. Garçom nesses outros lugares é um trabalho como outro qualquer, assim como atendente de supermercado, advogado. Você está ganhando o seu dinheiro por seu próprio esforço. O sentido real é esse: Dê valor ao que você faz, seja o que for. (claro que profissão de matador de aluguel, por exemplo, extrapola em todos os graus essa questão). Voltando ao pai que paga pro filho. Pois bem, nesta situação então, o particular e o público deixam de ser coisas tão distintas entre si, e passam a ser continuação, um processo natural de amadurecimento. A colonização do Brasil se deu com a vinda da bandigem Européia da época. Os EUA assim como outros países, lutaram pelos seus direitos. Não sou a favor, nem contra os EUA.

Mas isto “DEVE” estar ligado com o que acontece por aqui. Ou não?


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Nemo e o Submarino.

Mais uma vez, mais uma noite escrevendo. Com o meu vício esfumaçante e minhas músicas tristes. Por exemplo, escuto agora o Coltrane lamentando (muito) no sax. O que me tira o sono é saber que posso ser melhor. Eu realmente posso ser melhor, mas eu levo assim mesmo. Sinto-me o “Man in the Box” do Alice in Chains pedindo pra ser salvo a cada refrão. A cada suspiro, a cada verso, a cada letra se perde um pouco da alma. O lamento é a prova disso. Não queria, toda vez, sentir tanto certas notas que escuto. É a tal da subjetividade/inconsciência que me leva crer que ainda tem jeito. O navio que ainda não virou artefato histórico; o preso que ainda conta os dias até a liberdade; o lobo que espreita por mais de duas horas a sua presa e, finalmente, a conspiração acerca da felicidade. O capitão Nemo seria de grande utilidade agora. Mas só em sonho ele iria pensar em visitar o litoral daqui dessas bandas. (salinas? Piff). Janeiro, Julho e Dezembro é sempre a mesma coisa. Alguém me diz onde se acha esse tal de “ócio produtivo” por que ainda não achei. E não é falta de coisa pra fazer. Mas também não tenho tanta coisa assim. A cuca flui até certo ponto até que estagna e se perde por ai. É tudo muito belo e tudo muito maravilhoso na vida das pessoas. Sei que muito é historinha, desejo e aparência. Ok. Mas e quando é verdade? E quando você acredita que é possível? Nada é perfeito (só a arte), e nem deveria. O corpo humano é desregrado, confuso, frenético e tudo isso se reflete na realidade. Perfeição (que não seja na arte) é, mais uma vez, balela. Só que felicidade é outra história. Uma história que não quero nem pensar sobre. Fim do texto.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Por Uma Música #02: John Coltrane - Naima



Esse é um post especial por que se trata da minha música preferida - de todos os tempos. Beatles? Danko? Caetano? sinatra?. Gosto de todos. Mas o Coltrane é o cara que me fez ir além. Não precisei abrir as portas da percepção para ver a genialidade da música dele. O mais brega que posso dizer sobre esta música é que, se um dia um milagre acontecer e eu tiver uma filha, o nome dela terá “Naima” no meio. Sei que Freud diria “você está transferindo”. E daí? É uma Homenagem. O meu nome é uma homenagem. Samora Marchel foi um líder revolucionário Moçambicano. Meu pai conheceu a Secretária de Estado do cara e mandou avisar “Avisa ao ´pai da nação´ que meu filho tem o nome dele”. Pois bem, Naima é uma música extremamente delicada. Tenho milhares de versões dela. Em umas o Coltrane está em um clima mega romântico, em outras, ele tá psicodélico, todas são belas. Aproveitem o som que é de altíssima qualidade, o melhor. - Eles estão evaporando -

domingo, 19 de julho de 2009

Por Uma Música #01: One night Stand



A música é de Cole Porter, "Everytime We Say Goodbye", só que posto uma versão na voz da maravilhosa Nina Simone. Nesta versão, a melancolia do tema da letra é impressa de forma perfeita. Existem muitas versões, porém, a N. Simone, com o seu timbre único, conduz o ouvinte a memórias extremamente emocionais. Claro que cada um possui o seu mosaico de experiências, sua subjetividade. Não dá pra explicar algo tão profundo.

Acima o audio-video da música no Youtube e abaixo a letra.


Everytime we say Goodbye

Every time we say goodbye
I die a little
Every time we say goodbye
I wonder why a little
Why the Gods above me
Who must be in the know
Think so little of me
They allow you to go

When you're near
there's such an air
of Spring about it
I can hear a lark somewhere
begin to sing about it
Theres no love song finer
But how strange the change
From major to minor
Every time we say goodbye


---

"foda" ein?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O problema do aluno (iniciante) de jornalismo

O curso de jornalismo é um gozo constante. Aulas teóricas maravilhosas com práticas em fotografia, rádio, tv fora as histórias extraclasse que tornam tudo mais doce e que de facto fazem do curso um ótimo canto para tentar ser feliz..

Mas e o mercado? é assim também?
Infelizmente não e também não cabe entrar
nos pormenores da questão porque
não sou apontador virtual de desgraça.

Por isso, você, futuro aluno de jornalismo que está
indeciso, dê uma olhada nesse site e veja 40 razões para, sim, estudar e se formar em Jornalismo.

Achei interessante essas duas:


21. It’s historic - É histórico.

Nós também escrevemos e modificamos o curso da história.




36. You can make a difference - Você pode fazer a diferença.
Como em qualquer profissão. Todas tem o seu mérito mas é importante destacar que o nosso alcance comparado é absurdamente maior do a maioria das profissões.

É só você pensar um pouco em casos famosos como o "watergate" ou o "mensalão".
São dois exemplos de como podemos fazer uma enorme diferença.





É isso pessoas.

segunda-feira, 16 de março de 2009

RADIOHEAD, claro.


Como diz o título, a música realmente gruda na cabeça. Lembro da primeira vez que escutei (e vi) Paranoid Android na TV. Todo mundo ta cansado de saber que a MTV já foi muito boa com seus programas toscos e esforçados.O lado B foi uma dessas coisas que não voltam mais. Com apenas um fundo verde, Fábio Massari destoava elogios ao próximo clipe antes dele tinha passado Bjork então imaginem que eu já estava em outro plano quando finalmente começou o clipe. Pois bem, na minha cabeça adolescente pensei logo “que tosquice esses desenhos”, mas fui vendo, não consegui trocar de canal apesar do primeiro movimento de negação. No decorrer do clipe fui tentando entender a letra, decifrar a mensagem e por fim perder o chão quando me toquei do que se tratava. O garoto negro, garoto branco, as putas, o velho tarado, os gays, o estressado! Tudo estava ali. Quando acabou, fiquei como já disse, sem chão. Cinco dias depois fui caçar isso por ai... Na loja de cd (a única que tinha em Belém), me venderam o do Bebê. Olhei desconfiado e no caminho de volta fui lendo as músicas, ainda não tinha um ritual que depois seria sacramentado de escutar um álbum. Logo de cara, me interessei por um título “Anyone can play guitar”. Lendo os versos “Deessstiny, Destiny protect me from the world… Deessstiny, hold my hand protect me from the world” Fechei e lacrei de volta aqueles versos “melhor escutar em casa” pensei.A partir desse dia comecei a escutar Radiohead. Rir é o melhor remédio para aturar os comentários típicos de quem não aceita tanto lirismo e beleza. Por favor, acho que não preciso entrar nos trocadilhos pra gosto. Dia 23 de Março/09, finalmente no Brasil, eles vão presenciar uma das platéias mais enlouquecidas do mundo não porque somos |Brasileiros e loucos por festa, e sim talvez, pelo fato de que muitos dos que estarão ali, esperaram 11 anos pra finalmente fechar essa Gestalt. Entender de forma completa uma banda. Vê-los ao vivo. Eu sou um deles.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

NOTA DE FALECIMENTO

Hoje, as 19:35, morreu o jovem aspirante a jornalista e músico Rafael Samora. Depois de cinco tentativas de reanimá-lo em plena Almirante Barroso, os Paramédicos o deram como morto pouco antes de completar 25 anos. Fez de tudo quase nada, estudou em colégio de freira, desistiu do curso de filosofia e por fim tentava finalizar o curso universitário da vez. R.H. (28), amigo de infância do rapaz, disse que por toda a sua vida ele buscava algo que não existia, comentava sobre sonhos palpáveis, viagens distantes, livros portais e músicas essencialmente emocionantes para o coração. A missa será realizada as 08hrs da manhã em igreja de pequeno porte perto do rio. Deixou algumas canções gravadas, textos e rabiscos de uma vida que durou pouco diante de tantas ambições reais ou não.