
Assistindo a uma aula de história brasileira contemporânea, fiquei com a cuca fervendo. Ele falava sobre uma questão tão impregnada no nosso modo de enxergar as coisas, que em primeiro momento, me causou estranheza.
O exemplo dado foi a comparação entre “casa” e “rua” aqui no Brasil, e como isso se dá em outros lugares. Pois bem, por esses lados, a relação se dá de uma maneira quase de culpa católica. A casa da gente não é lugar de transações monetárias entre os membros da família. Isso é no geral, claro. Por exemplo, o pai fala pro filho: “Menino, vai lavar a louça, limpar o banheiro e levar os cachorros pra passear”. Muito contrariado o menino vai e assim se dão as relações dentro de casa. É o lugar onde a “solidariedade” tem que imperar. “Seja solidária com a sua irmã mais nova filha” diz a mãe com tom de espanto. Em nem um momento existe uma troca real de favores. Não existe situação de o pai pagar um valor qualquer para o filho executar os trabalhos domésticos, e nem o contrário, do filho cobrar do pai uma recompen$a pelo trabalho feito. Isso não passa de uma “obrigação”. Você não faz por querer ou por reconhecimento, e sim por “solidariedade” (eufemismo, neste caso, para obrigação). Já na rua a questão é diferente. A rua é o lugar onde você vai trabalhar, ganhar sua vida, onde mora o perigo, a casa da mãe Joana e etc. Não há um respeito pelo bem público por que você está impregnado do seu particular. Por isso que em todo canto as pessoas querem colocar um pouquinho “de casa”. Isso é ruim? Talvez não. O problema é quando você assume um cargo público e quer trazer a casa junto. Isso inclui a amante, o irmão, o primo do primo, o cunhado, o neto, etc. O problema mora nesta confusão.
Em outros lugares a relação é diferente (que não é eufemismo para melhor). Aceitar que vivemos em um modelo capitalista é um processo necessário para entendermos como funcionam os processos de causa e efeito da sociedade. Na mesma situação exposta acima, o pai vai dar uma recompens$a qualquer para o filho executar as tarefas. Igual ao tio patinhas com os sobrinhos. O garoto aprende cedo a valorizar o seu esforço seja ele braçal ou não. Aqui no Brasil quanto mais braçal, mais desvalorizado é o serviço. Vários brasileiros que resolvem ir embora do país sobrevivem como garçons e ganham bem para isso. Garçom nesses outros lugares é um trabalho como outro qualquer, assim como atendente de supermercado, advogado. Você está ganhando o seu dinheiro por seu próprio esforço. O sentido real é esse: Dê valor ao que você faz, seja o que for. (claro que profissão de matador de aluguel, por exemplo, extrapola em todos os graus essa questão). Voltando ao pai que paga pro filho. Pois bem, nesta situação então, o particular e o público deixam de ser coisas tão distintas entre si, e passam a ser continuação, um processo natural de amadurecimento. A colonização do Brasil se deu com a vinda da bandigem Européia da época. Os EUA assim como outros países, lutaram pelos seus direitos. Não sou a favor, nem contra os EUA.
Mas isto “DEVE” estar ligado com o que acontece por aqui. Ou não?